Endometriose

Não é Mimimi:

Conheça a doença que afeta de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva.

A Endometriose não é Mimimi!

A Endometriose não é Mimimi!! Você que está lendo isso, também já deve ter ouvido as seguintes explicações para as suas cólicas menstruais: “Toma um chazinho que sua cólica vai passar”, “ coloca uma bolsa de água quente na barriga que passa”.

Muitas mulheres acham natural que o período de menstruação seja doloroso e normal, O QUE NÃO É! Existe uma cultura de falar “sua mãe teve cólica menstrual, sua avó teve cólica menstrual, então você vai ter cólica menstrual”, o que está totalmente equivocado.

Por isso, muitas mulheres sem saber o que há por trás das cólicas, passam vários dias por mês deitadas, incapacitadas de realizarem suas atividades rotineiras, encolhidas na cama, tomando analgésicos e com bolsas de água quente na barriga. Mas o que poucas sabem, é que mulher não deve sentir dor! Se você se identifica com isso, saiba que há grandes chances de que você esteja sofrendo de algo chamado Endometriose.

Só no Brasil essa doença atinge mais de 7 milhões de mulheres, segundo a SBE (Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva).

Afinal o que é Endometriose?

É uma doença ginecológica caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero), fora do seu lugar natural. 

O endométrio cresce mensalmente preparando o útero para uma possível gravidez e quando ela não ocorre, o endométrio começa a descamar, ou seja, começa a se desfazer, ocasionando a menstruação. Às vezes, essa descamação pode migrar para o sentido oposto, podendo acometer várias regiões da pelve. 

O tecido endometrial também pode estar presente na parede muscular do útero, o que chamamos de adenomiose. A endometriose pode acometer qualquer órgão da cavidade abdominal, incluindo ovários, vagina, bexiga, apêndice ou mesmo o intestino, mas já houve diagnósticos em que o endométrio percorre maiores distâncias atingindo órgãos como os pulmões e o cérebro, porém são ainda mais raros. 

Esta doença pode ocasionar infertilidade na dependência do órgão acometido, por isso requer atenção!

Por que a endometriose pode causar infertilidade?

Mulheres com diagnóstico de endometriose profunda, apresentam uma mudança na anatomia do aparelho reprodutivo feminino, que pode obstruir as trompas uterinas. Sendo este, o principal fator que levaria à infertilidade. 

Nesses casos, as trompas ficam danificadas impedindo o encontro dos espermatozoides com o óvulo, podendo impedir a fecundação.

Com que idade a endometriose pode surgir?

A doença acomete mulheres que estão no período reprodutivo, ou seja, período que vai desde a primeira menstruação até a menopausa. 

Endometriose, útero

Quais são os tipos de endometriose?

A doença é classificada em três tipos: superficial, profunda e ovariana. 

Superficial

São lesões menores que 5mm, que acometem o peritônio (membrana transparente que recobre tanto a parede abdominal quanto as vísceras). As lesões podem ser brancas, negras ou avermelhadas e mesmo sendo pequenas podem causar dores de forte intensidade.

Profunda

A endometriose profunda ocorre quando os implantes da doença se aprofundam por mais de 5mm, podendo acometer diversos órgãos. Sendo assim uma manifestação mais agressiva da doença.

Pois pode acometer diversos órgãos da pelve como bexiga e intestino e também em casos mais raros, pode afetar regiões distantes como o pulmão e até o cérebro. Os sintomas da endometriose profunda, tornam-se bem mais intensos dependendo do local afetado.

Ovariana

A endometriose ovariana pode acometer superficialmente os ovários, todavia o mais comum é a apresentação na forma de cistos. 

São chamados de endometriomas e, em seu interior, encontra-se um líquido espesso com aspecto de chocolate que podem variar de menos de 1cm até mais de 20cm. Geralmente estão associados à endometriose profunda. 

Quais são os Sintomas de Endometriose?

A endometriose pode ser assintomática, ou seja, algumas mulheres não sabem que têm a doença, pois, não apresentam sintomas físicos e só descobrem quando encontram dificuldade para engravidar.

Os sintomas mais comuns são cólicas menstruais intensas (65%) e as dores no ato sexual (57%). Aproximadamente 40% das mulheres têm infertilidade. Os principais sintomas da endometriose podem ser resumidos pelos 6 Ds:

●     Dismenorreia (Cólicas menstruais intensas)

●     Dificuldade para engravidar 

●     Dor na pelve ou sangramento ao evacuar, especialmente durante a menstruação

●     Dor pélvica ou sangramento ao urinar, especialmente no período menstrual

●     Dor pélvica crônica

●     Dispareunia de profundidade (Dores nas relações sexuais)

Sintomas da Endometriose

Causas que podem levar a endometriose

Um dos principais motivos para a alta falha dos tratamentos da endometriose é o desconhecimento de sua real causa. Mas os existem algumas hipóteses levantadas por médicos, entre elas estão:

Menstruação retrógrada

Essa teoria foi proposta por Sampson na década de 1920. Apesar de ser a mais falada, apresenta muitas falhas ainda.

A menstruação retrógrada acontece em aproximadamente 90% das mulheres. Sendo assim, como explicaria que somente 10-15% das mulheres possuem endometriose? 

O sangue menstrual, além de sair do útero pela vagina também segue em direção às trompas de Falópio e cavidade pélvica, levando células do endométrio. Estas, quando atingem outros órgãos como ovários, intestino ou bexiga podem aderir às suas paredes e causar a tão temida endometriose.

O maior questionamento é justamente porque somente algumas mulheres desenvolvem a doença, sendo que a maioria das mulheres saudáveis também possuem a menstruação retrógrada. Desta forma, acredita-se que ela somente poderia ocorrer em associação com fatores hereditários, fatores imunológicos, genéticos ou ambientais.

Fatores hereditários

A presença de casos de endometriose na família é um fator de risco para o desenvolvimento da doença, ou seja, se sua mãe ou irmã tem endometriose você tem 10x mais chances de ter endometriose também.

Teoria Imunológica

Como dito anteriormente, esta teoria seria complementar à menstruação retrógrada. As células que caem na cavidade abdominal deveriam ser identificadas como uma substância estranha ao organismo que desencadeia a produção de anticorpos. 

Isto é o que ocorre na maioria das mulheres. No entanto, nas mulheres com endometriose, esta “limpeza” não ocorreria e permitiria o desenvolvimento da endometriose.

Teoria Genética

Muitos estudos têm encontrado alterações em cromossomos e polimorfismos genéticos em mulheres com endometriose. Tais alterações podem ser muito úteis na compreensão do surgimento da doença, como para o desenvolvimento de novas terapias.

Fatores Ambientais

Dos possíveis fatores desencadeadores da endometriose, estão alguns fatores ambientais. A poluição pode desencadear inúmeras doenças, principalmente, as respiratórias. No entanto, cada vez mais tem se observado, que os referidos poluentes podem causar outras doenças.

Muitos destes poluentes ambientais são persistentes, com meias-vidas longas, podendo se acumular no meio ambiente e influenciar negativamente desde o processo gestacional até a vida adulta. Uma análise do Environmental Working Group revelou a presença de 287 agentes químicos diferentes no cordão umbilical humano encontrou que, apesar de nem todas as crianças terem sido expostas a todos os poluentes detectados, nenhuma criança não foi exposta a nenhum poluente.

Além dos poluentes ambientais temos os alimentos, medicamentos e hábitos de vida.
Todavia, a comprovação desta teoria é bastante falha visto que todas as mulheres são expostas ao mesmo agente e somente uma parcela desenvolve a doença.

Fatores Ambientais

Como é feito o diagnóstico da endometriose?

O primeiro passo para o diagnóstico é a suspeita das queixas clínicas da paciente e dos dados do exame físico. 

Mesmo assim, a demora para diagnosticar a endometriose é um dos principais desafios a ser enfrentados pelas mulheres. Principalmente porque boa parcela das mulheres não valoriza os sintomas dolorosos. Ou pior: boa parcela dos ginecologistas também não valoriza acaba retardando o diagnóstico e só descobrem a condição quando tentam engravidar e não conseguem ou ainda após diversas idas ao pronto-socorro em busca de analgésicos potentes.
No Brasil, a doença pode levar até 7 anos para ser detectada desde o início dos primeiros sintomas.

Exames que detectam endometriose

  1. Exame pélvico por meio do toque vaginal: consiste na procura por alterações na região
  2. Dosagem sanguínea do CA-125: um marcador tumoral que pode estar aumentado em caso de endometriose
  3. Ultrassonografia transvaginal e pélvica com preparo intestinal: é considerado o exame com maior acurácia para o diagnóstico da endometriose profunda.
  4. Ressonância magnética: utilizado principalmente para diagnosticar casos de endometriose profunda envolvendo a parede lateral e o trato urinário.

Tratamento

Existem dois principais tipos de tratamento, o clínico e o cirúrgico. Porém existem também os tratamentos complementares.

Clínico

O objetivo do tratamento clínico é promover alívio da dor provocada pela endometriose, além de tentar prevenir ou retardar a progressão da doença através de medicamentos como a pílula anticoncepcional, DIU e/ou implantes subdérmicos. A paciente poderá também ser orientada a utilizar remédios anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar os sintomas.

Cirúrgico

O tratamento cirúrgico tem como objetivo a retirada dos focos da doença de forma completa.

Deve ser realizado preferencialmente por via laparoscópica e de forma conservadora, preservando a integridade dos órgãos reprodutivos.

Tratamentos complementares

A endometriose é uma doença complexa que necessita de tratamento multidisciplinar. Atualmente a utilização de terapias complementares pode ser muito útil:

  1. Prática de exercícios físicos: é benéfica para a saúde de um modo geral, além da liberação de endorfinas que pode ser benéfica para o alívio da dor.
  2. Acupuntura: a acupuntura, vem se mostrando uma grande aliada no tratamento da Endometriose, por conseguir aliviar sintomas de dor que os remédios podem não resolver.⠀
  3. Fisioterapia Pélvica: a fisioterapia pélvica pode ajudar a aliviar muitos dos diversos sintomas da endometriose, além dos benefícios da reeducação postural e conscientização corporal.
  4. Psicologia: algumas mulheres com endometriose exibem níveis elevados de depressão e ansiedade, devido aos quadros frequentes de dor, a infertilidade, ao atraso no diagnóstico e a recorrência da doença. Portanto um acompanhamento psicológico deve ser oferecido à mulheres com a doença sendo um componente essencial para o tratamento.
  5. Nutrição: a nutrição tem um papel importante para a diminuição das dores ocasionadas pela endometriose. Uma dieta bem elaborada pode ser fundamental na melhora clínica da mulher.

Endometriose não é frescura!

Endometriose não é frescura

Se a dor não é sua, não chame de drama!

Mulheres que apresentam endometriose passam boa parte do dia ao lado dos analgésicos devido aos quadros frequentes de dor e mal-estar generalizado. Além disto, consequências da doença podem fazer com que a mulher desenvolva quadros de depressão e ansiedade. 

Portanto, não cogite que essa situação vivenciada por mulheres portadoras da doença seja psicológica ou frescura, somente quem passa por ela sabe a dificuldade de conviver com a doença. É essencial que um acompanhamento psicológico seja oferecido às mulheres nesta situação, sendo um componente essencial para um tratamento sucedido. ⠀

Sendo assim, ao sentir os primeiros sintomas da endometriose, o ideal é consultar o ginecologista para tirar dúvidas e realizar exames para confirmar se há presença de endometriose ou não. Desta forma o médico poderá detectar mais precocemente os sintomas de endometriose. Com um diagnóstico precoce, um tratamento precoce também será instituído, aumentando a efetividade de alívio dos sintomas. 

Como toda doença, quanto antes ela é identificada, melhores são as chances de tratamento. E lembre-se, Endometriose não é mimimi!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *